As mulheres querem viver

Por: Shirleyde Santos

Para ler ouvindo Triste, louca ou má (Andrei Martinez Kozyreff, Juliana Strassacapa, Mateo Piracés-Ugarte, Rafael Gomes, Sebástian Piracés-Ugarte)

 

A poesia

nasce do dia.

Não deixe que eu morra,

me sinta.

É assim que eu sou

alegre e triste, 

eterna e não efêmera,

amante do belo

e da miséria, companheira.

Não me evite,

me tenha

mesmo guardada em segredos

ou exposta ao sol

e ao vento.

Não tenho tempo fixo,

nem infância, nem velhice

e me faço sempre presente

onde a vida insiste 

e resiste

persistente.

Afirmação

Violeta Formiga*

Cada vez que uma mulher é ameaçada… Cada vez que uma mulher é violentada… Cada vez que uma mulher sofre algum tipo de agressão… Cada vez que uma mulher é calada… Cada vez que uma mulher é morta… Todas as mulheres do mundo também são!

E são tantas as formas de morte de mulheres em vida. E são tantas as mortes de mulheres!!! Somos vítimas de uma sociedade patriarcal, machista, que reproduz diversas formas de preconceito e de violência, algumas veladas e outras escancaradas. Somos educadas para calar, fechar as pernas, falar baixo, cuidar da casa, do marido, dos filhos, sermos submissas aos homens que cruzam nossos caminhos (pai, irmãos, namorados, maridos, patrões, chefes, colegas de trabalho…). Mas não aceitamos esses fardos! E toda mulher que rompe barreiras, acaba sendo vítima de julgamentos, de discriminação, de violência verbal ou física, de abuso, de feminicídio…

Quantas vezes somos tratadas como loucas, desequilibradas? Quantas mulheres também acabam reproduzindo esse pensamento por medo de serem julgadas? Ou, simplesmente, por MEDO… Sim, sentimos medo quando andamos na rua sozinhas… Sentimos medo de transportes públicos, de taxis, de uber, de caronas… Sentimos medo nos bares… Sentimos medo dentro de casa… Sentimos medo quando estamos numa relação abusiva e não sabemos como sair… Sentimos medo quando vivemos uma relação abusiva e saímos dela… Já vi mulheres com medo de falar… de olhar… de levantar a cabeça… de se vestir como gostariam… de chorar! Já vi mulheres assistindo filme triste para justificar o choro que, na verdade, era de uma dor dela… para não incomodar o parceiro. Muitas mulheres sequer têm o direito ao choro livre. Nossa alma e nosso corpo são violados até pelo olhar de quem deseja agredir. Ser mulher, nesse modelo de sociedade que vivemos, é um trabalho árduo! 

Mas seguimos… Apesar de tudo e de todos, seguimos! Nossas vidas insistem e resistem… Somos persistentes e fortes também! E cada vez que uma mulher reage… Cada vez que uma mulher fala… Cada vez que uma mulher se firma no tempo e no espaço… Cada vez que uma mulher ocupa um lugar de poder… Cada vez que uma mulher se destaca… Cada vez que uma mulher vive plenamente… Cada vez que uma mulher resolve largar tudo e ser seu próprio lar… Todas as mulheres do mundo, de alguma forma, também são tocadas! E se fortalecem!

As mulheres querem viver*! Sem violência doméstica! Sem importunação sexual! Sem feminicídio! 

Parem de nos violentar! Parem de nos matar!

 

Se você conhece alguma mulher que sofre violência, não se cale!

Se você sofre violência, busque ajuda!

 

Mais informações:

Guia da Rede de Enfrentamento e Atendimento à Violência Doméstica e Sexual

Observatório do Feminicídio da Paraíba Bríggida Rosely de Azevêdo Lourenço

 

*Violeta Formiga, poeta paraibana. Foi morta pelo companheiro com um tiro no peito, em 21 de agosto de 1982. Tinha 31 anos.

**A Campanha “As mulheres querem viver” é uma ação do Observatório do Feminicídio da Paraíba Bríggida Rosely de Azevêdo Lourenço. Bríggida foi morta por seu ex-companheiro que não aceitava o fim do relacionamento, em 19 de junho de 2012. Tinha 28 anos.

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