Será mesmo que as pessoas com deficiência não estão na sociedade?

Por: Fábia Halana Pita

Há alguns dias passei por uma situação em que uma pessoa sem deficiência estava usando um provador de roupas preferencial, e quis me “justificar” que estava ocupando-o porque geralmente não nos (pessoas com deficiência) via naquele espaço. Na hora respirei fundo, tentei encontrar as palavras certas para ser coerente e pedagógica, por mais que quisesse ser grossa mesmo. Então falei que nos últimos tempos estamos sim participando efetivamente dos espaços e serviços na sociedade, que aquilo que ela tinha dito não tinha justificativa. Ela reconheceu o equívoco, se desculpou e saiu.

Quis trazer esse fato hoje para refletir questões muito importantes: será mesmo que as pessoas com deficiência não estão na sociedade? Ou será que as pessoas não nos percebem em seu cotidiano? Realmente por falta de acessibilidade (em suas várias dimensões), a questão financeira, o capacitismo diário nos impede, muitas vezes, de participarmos de forma adequada dos lugares e eventos. Mesmo assim, ultimamente muitas pessoas com deficiência estão cada vez mais estudando, trabalhando, consumindo, tendo seu lazer e afetos. Pontualmente nos identificamos por aí. Por outro lado, porque as pessoas não nos percebem? Será que elas estão tão ocupadas que não nos identificam? Será que por medo ou repulsa passamos despercebidas? Talvez ignorar seja mais fácil de encarar. Mas, estamos sim presentes. Não dá mais para nos invisibilizar (querendo ou sem querer).

Além disso, se um espaço prioritário está desocupado, não significa que uma pessoa sem deficiência pode usar. Mesmo que seja pouco tempo. Não é para ser usado. Aquele espaço é um direito e foi conquistado através de muita luta das pessoas com deficiência. Devendo estar livre para caso alguma pcd precise usar. Afinal, somos cidadãos, consumidores, condutores, tutores, temos direito de participar de espaços, serviços, eventos e tudo que quisermos. O que precisa ser urgentemente colocado em prática é o respeito e o bom senso. Não tem mais o que justifique o capacitismo. Se errar, reconheça-o e não faça mais. Precisamos refletir e agir para a construção de uma sociedade mais inclusiva, diversa e anticapacitista.

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