Responda de uma vez por todas: você é uma mulher insegura?

Por: Jéssica Freitas

Eu não sou insegura. Eu estive insegura. Ou, melhor ainda, diante de algumas situações específicas, eu posso, sim, me sentir insegura. Percebe a diferença? O poder das palavras em comunicar um sentimento, seja para os outros ou para nós mesmas, é transformador. Parece que tudo fica mais humano, mais sincero, mais lógico, e menos taxativo.

Aos 31 anos, eu já vivi milhões de momentos em que eu me senti insegura. Me senti assim em alguns dos meus primeiros dias — de aula, de trabalho, de convívio, de intercâmbio, de experiência. A insegurança também me pegou depois de situações em que eu achei que havia falhado: quando levei um feedback negativo, quando falei algo que foi mal interpretado, quando esqueci de cumprir uma promessa e tive que pedir perdão, quando me julgaram e eu pensei que a culpa era minha, quando eu mesma jurava que precisava fazer algo que não fiz ou ser alguém que eu não era… Sabe a sensação?

A insegurança vem com o medo de frustrar expectativas — nossas ou dos outros — , e se relaciona com uma sensação de dificuldade ou até de incapacidade. No entanto, nem sempre a insegurança é um sentimento que nos faz mal. Muitas vezes, a partir de uma insegurança funcional, nos motivamos a aprender, crescemos, e, sabendo que é possível melhorar, enfim, tentamos. A gente só aprende qualquer coisa a partir do momento em que nos entendemos como iniciantes. E, não adianta: ninguém sabe tudo.

Quem nunca se sentir inseguro, pode se tornar arrogante. Não cresce, não entende que existem diferentes formas de chegar a um mesmo objetivo, não vive novas experiências, não sente empatia pelas pessoas que pensam diferente, não evolui como cidadão. Quem sempre se sente inseguro, porém, não transmite confiança no que faz, não constrói uma autoestima saudável, não entende que pode ensinar aos outros aquilo que sabe. Logo, como todos os sentimentos, a insegurança deve ser dosada: em excesso, nos corrói; em deficiência, nos confunde.

Se eu digo que eu sou insegura, estou invalidando todas as situações em que eu sabia o que estava fazendo e o fazia com gosto. Se eu digo que sou insegura, ignoro meus momentos de orgulho, minhas conquistas, minhas experiências autênticas, meus sorrisos espontâneos, as vezes que fui lá e fiz. Não diga que você é insegura, entenda que você pode estar se sentindo insegura e que existem motivos para isso. Entenda que esse é um sentimento que te ensina muito sobre si mesma: absorva o ensinamento, interprete o que está por trás dele e, a partir disso, evolua.

Sua insegurança te faz humana e te faz acessível. Suas vulnerabilidades são quem te ensinaram a ser empática e te deram a capacidade de entender as vulnerabilidades alheias. Afinal, vale lembrar: empoderamento feminino não é sobre ser uma super-humana, uma mulher que não demonstra as suas fraquezas, que é confiante e segura 100% do tempo, que toma suas decisões sem nenhuma sombra de dúvida, ou que anda por aí sem falhar, e sem ter o medo de falhar. Quem vendeu isso para as mulheres do nosso séculos nos confundiu.

Ser poderosa é se conhecer tão bem, mas tão bem, a ponto de entender que a insegurança também pode ser uma ferramenta de aprendizado. É entender que as experiências que você teve até hoje te trouxeram até aqui. É identificar os sentimentos, ler as entrelinhas, e então realizar movimentos que façam sentido para você, de acordo com as suas necessidades. Isso, sim, é poderoso.

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