Tem sofrimento que faz falta, mas tem amor que fica

Por: Dani Fechine

Tem sofrimento que faz falta. Pode parecer estranho, mas tem um diálogo no filme Romance que eu jamais esqueço. “Nas histórias românticas, amar significa sofrer. E se você está amando significa que está gostando de sofrer”. Certa vez li em um artigo que os nossos melhores textos, produções, artes e seja lá o que for que façamos com as nossas próprias mãos, são regados pelo sofrimento. É desse sofrimento que sinto falta. O que me fazia engolir uma página em branco em poucos minutos. Escrever fantasias e realidades com toques leves de uma crônica de amor.

Tem sofrimento que faz falta. Mas só quando a gente sabe que nenhuma parte dele vai fazer pra gente. É um sofrimento de estágios. Aos poucos, a gente aprende a ser forte, aprende a entender o porquê de sofrer e, então, passa a viver, justamente, o “gostar de sofrer”. 

Quando eu vivia o sofrimento que hoje faz falta, o de amar a pessoa errada, por exemplo, eu queria viver um conto de fadas. Eu não sabia que era aquilo que me nutria de inspiração. A impossibilidade. A dificuldade de amar. O sofrer amando. 

Tem sofrimento que faz falta. Mas só quando ele serve de inspiração. O sofrer delicado de quem perde a pessoa que ama. O sofrer triste do amor não correspondido. O sofrer da frieza. O sofrer de um relacionamento que já acabou, mas você vive o passado como inspiração. 

A inspiração do amor é magnífica para quem escreve. Inclusive, o amor amando, não o amor sofrendo. Ela foi se perdendo de mim – e eu dela – depois que amar a mim, antes de qualquer coisa, se tornou prioridade. E então a gente meio que para de sofrer. Porque mesmo no sofrimento, vai ter sempre alguém ali para amar. A inspiração veste nova roupa. Ganha novos contornos. Linhas mais interessantes. Parágrafos mais cheios de si. É assim quando a gente troca o sofrimento pelo outro pelo amor a si mesmo. Tem sofrimento que faz falta, mas tem amor que dissipa essa saudade. Tem sofrimento que faz falta, mas tem amor que fica e não dói. O amor-próprio. 

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