A vida nunca mais será a mesma | Adriana Negreiros 

Por: Érica de Oliveira 

O Nossa Fala faz parte do Time de Leitores do Grupo Companhia das Letras, recebendo de forma periódica livros selecionados. Para democratizar esse conhecimento e facilitar o acesso a essas publicações, disponibilizamos resenhas de nossas falantes sobre as obras.

Escrito pela jornalista Adriana Negreiros e publicado pela editora Objetiva, pertencente ao Grupo Companhia das Letras, A vida nunca mais será a mesma: Cultura da violência e estupro no Brasil é um dos livros mais fortes e necessários que li durante toda a minha vida. Com uma narrativa que prende, cativa e instiga, é um daqueles escritos que, como dizem na linguagem popular, lemos em uma única “sentada”. Teria sido impossível não devorar em poucas horas cada letra, frase, cada página, se não fosse pelas diversas vezes em que fui obrigada a suspender a leitura devido ao nó que se formava em meu estômago ou às lágrimas que insistiam em cair no meu rosto.

Em A vida nunca mais será a mesma a autora discorre e discute sobre a naturalização da violência sexual contra a mulher no Brasil, conhecida como a cultura do estupro, enquanto relata experiências pessoais de meninas e mulheres que tiveram seus destinos para sempre alterados e marcados pelos traumas físicos e emocionais aos quais esse tipo de agressão resulta. Mas ao mesmo tempo em que fala em terceira pessoa, Adriana conta sua própria história, mudada abruptamente em 24 de maio de 2003, em um relato corajoso e cheio de significado.

Ao longo de 17 capítulos, Negreiros apresenta uma série de dados e informações relacionados ao tema do estupro, feminicídio e da violência de gênero, fazendo uma análise profunda de forma cronológica entre os anos de 1990, marcados pela implantação das políticas voltadas para a violência contra mulher, através da Convenção de Belém do Pará, até o ano de 2018, com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, que aparece como um contraponto de retrocesso à toda história.

Mais do que transformadora e elucidativa, a leitura de A vida nunca mais será a mesma é imprescindível, pois, como diz a autora, a violência sexual precisa ser compreendida urgentemente não mais como uma experiência individual, mas coletiva.

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