A pessoa com deficiência e o questionamento diário sobre sua capacidade

Por: Fábia Halana Pita 

A todo momento a nossa capacidade, enquanto pessoa com deficiência, é questionada, subestimada e desvalorizada. Seja na família, no trabalho, na vida social, nos relacionamentos afetivos, temos que provar que sabemos sobre determinado assunto, que somos responsáveis para desempenhar determinada atividade, que temos opinião e senso crítico para debater (até no que se diz respeito às demandas da pessoa com deficiência), que podemos nos apaixonar e desejar alguém (como se fosse algo impossível para nós). Muitas vezes acontece também de uma pessoa sem deficiência duvidar do nosso posicionamento, ou de até falar a mesma coisa que falamos, mas o crédito fica para ela, não para nós (e aqui estamos falando de reconhecimento do lugar de fala, de a pessoa sem deficiência ter mais credibilidade do que uma pessoa com deficiência). Aí ficam os questionamentos: por que temos que provar diariamente nossa capacidade? A sociedade duvidaria tanto assim de uma pessoa sem deficiência?

A reflexão de hoje é que não temos que mostrar para a sociedade que podemos estudar, trabalhar, divertir, apaixonar. Não temos que sair por aí provando que podemos fazer isso ou aquilo. Se falamos algo sobre nosso cotidiano, é porque sabemos o nosso lugar de fala, não precisamos do outro para validar. A deficiência que temos não nos define. Simplesmente somos e escolhemos o que quisermos ser e fazer diariamente. Não devemos aceitar dos outros o que elas querem que sejamos ou que façamos. A sociedade deve respeitar, dialogar e somar na luta pela efetivação de direitos e políticas públicas para as pessoas com deficiência.

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