A falsa produtividade

Por: Gabs Ferrera 

Durante muito tempo, trabalhei CLT fora de casa e quando digo muito tempo, foi desde os 17 anos (hoje tenho 26). Um dos prazeres que eu devaneava na minha mente, era de que um dia desfrutaria o prazer de estar em casa, vendo o sol se pôr. Sabe aquele entardecer das 16h, a famosa Golden Hour? Pois é.

Eis que em meio ao caos do nosso mundo, consegui enfim trabalhar em casa. Quase nunca é possível aproveitar esse entardecer, exceto quando a pauta do dia dá aquela aliviada. Esses dias, consegui concluir o trabalho do dia cedo, ou seja, automaticamente deveria correr para minha varanda e curtir o meu momento. O problema é que me senti culpada. Improdutiva. Vergonhosa:

“Será que devo postar no meu Instagram? O que vão pensar? Que sou uma desocupada?”, pensei.

O fato é que eu postei e compartilhei esse meu receio. Hoje, trago para aqui, porque sei que muitas devem sentir esse mesmo bloqueio, de desfrutar de forma justa e merecida os seus momentos de paz.

Vivemos numa geração que herda as frustrações de quem veio antes. Pessoas que atrelam o sucesso a uma casa própria, carro quitado, viagens, filhos perfeitos e vidas impecáveis. A gente ainda está aprendendo que o caminho não é esse.

Ter uma vida de sucesso está bem mais atrelada a seguir um rumo fiel a quem você é, viver mais do que sonhar, ter qualidade de vida, estar próximo de quem você ama e aproveitar as coisas simples – como o meu entardecer das 16h.

Muito por culpa do falso conceito de produtividade, que defende piamente uma eterna lista de checklists, ansiedade, frustrações e muita terapia, ser produtiva tem muito mais a ver com filtrar as prioridades do dia, da sua vida, naquele momento.

Se para você hoje, uma demanda insubstituível é parar para tomar uma xícara de café, faça! Valorize as delicias de ser quem você é e vibre por cada rotina adquirida que, antes, era apenas um desejo distante.

A liberdade de ser adulto e estar à frente da sua vida é uma delícia, mas não permita se afundar nas expectativas das outras pessoas. Eles não vivem a sua vida, portanto, VIVA!

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