Chats online: uma forma de conhecer histórias

Por: Iasmin Soares

Toda vez quando estou conhecendo alguém e surge a pergunta “o que você gosta de fazer?”, eu sempre penso bastante e acabo dizendo que amo conhecer histórias e pessoas. Quando criança, e até entrar na universidade, era muito tímida, não conversava muito com as pessoas e sempre observava tudo com muito detalhe. Sabe aquela criança que gosta de escutar as “conversas de adultos”, essa era eu. Sempre estava ali escutando atentamente todas as histórias e conversas. Guardava todas as informações comigo, e aquilo que eu não sabia ia pesquisar ou perguntava para alguém. A veia de jornalista já estava ali, sempre curiosa, querendo descobrir o mundo.

Com o passar do tempo fui aprendendo a verbalizar o que eu gostava. Fui me expressando e ao mesmo tempo entendendo como era interessante falar sobre aquilo que amava. Depois fui me conhecendo e entendendo que aquele desejo de descobrir informações poderia me ajudar muito. Me tornei uma pesquisadora muito sagaz, sempre curiosa e com a escuta ativa, nenhuma informação passava. 

Entrei na faculdade de jornalismo e pensei: preciso aprender a fazer perguntas para as pessoas. Então me empenhei nessa missão e nunca abandonei minha escuta para colher informações. Comecei conversando com os amigos, familiares e pessoas mais próximas. Minha intenção era aprender a perguntar, nesse período também aprendi a escutar histórias de vida e atrelar dois aprendizados. 

Uma pessoa que me ajudou muito nesse processo foi a minha avó paterna, que sempre tem uma história pra contar. Todas as vezes que me encontro com vovó Fatima acesso um pedaço da sua vida através dos relatos contados. Conversar com pessoas que tenham mais experiências de vida do que você é incrível. Já bem evoluída no quesito ouvir histórias e fazer perguntas, expandi minha escuta para pessoas que eu não conhecia. Passei a ser aquela pessoa que não sabe ficar sem conversar. Sempre tô arrumando o que conversar com alguém na fila do banco, na parada de ônibus, nos lugares que eu estiver. Nessas conversas informais já escutei tantas histórias de vida, sonhos e problemas. Ser escuta vai muito além do que só estar lá ouvindo e balançando a cabeça. Na universidade não aprendi técnicas de como fazer uma pessoa contar sobre o que sabe, isso aprendi com a vida, sendo escuta, e ativa. 

Eu gosto de ouvir histórias de pessoas na internet também. Chats internacionais como o Omegle e Chat Brasil já me conectaram a pessoas diversas, e com um ponto em comum, sempre tinham uma história para contar. Nesses chats tem de tudo, muitas pessoas utilizando para xingar, mostrar conteúdo obsceno. Mas a maior parte está lá disposta a falar pelo menos um “oi, tudo bem?”. Cabe a você saber como iniciar um diálogo que faça sentido e seja interessante.

É tão estranho como a internet está tomada pelo ódio. Já encontrei garotas lindas que estavam se escondendo para não mostrar o rosto no chat, e quando um simples “você é linda!” aparece, já foi o suficiente pra iniciar um diálogo incrível e tornar um pouquinho o dia daquela pessoa mais legal. Eu já conversei com francês, português, britânico, argentino, e muitos brasileiros. Sempre que eu acabo uma conversa pelo chat fico impressionada com o fato de que as pessoas precisam ser ouvidas, trocar uma ideia, contar um sonho. Às vezes um “Oi, tudo bem? De onde você é?” pode mudar rápido a vida de alguém.

Tive a ideia de escrever esse texto enquando tava conversando com um rapaz que mora no interior de São Paulo, e o seu maior sonho é construir uma família. A outra moça que falava comigo antes dele queria ser diplomata. Os sonhos são tão bonitos para ficar guardados. Temos que verbalizar nossos sonhos, jogar para o universo e correr atrás pra realizar. Acredito que ceder um pouquinho do nosso tempo para ouvir o outro é essencial. E para os jornalistas, fica o recado: escute quem tá perto, e vai estar aprendendo muito.

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