Seja carinhosa consigo

Por: Gracielle Araújo

Frustração e decepção andavam de mãos dadas. Às vezes sentia que eu tinha me perdido no caminho e pensava que não ia encontrar saída ou resposta para o que eu procuro. Mas o universo, em toda sua forma e poder, acalma meu coração e me reconforta. 

Não é fácil viver em um mundo em que devemos agradar as pessoas para conseguirmos reconhecimento ou consideração. Ou simplesmente para que sejamos iguais. São tantos porquês, perguntas sem respostas, cobranças e culpa que me deixam esgotada, fazendo questionar várias vezes o meu Eu e quem me tornei. 

Estou entendendo que cada um tem o seu tempo e processo. Compreender isso, me autoaceitar, acreditar na minha capacidade, está sendo mais difícil do que esperava e vou subindo degrau por degrau, sem pressa.  

E é um desafio. Eu passei a minha vida quase toda tentando agradar quem convive comigo. Mudei parte da minha personalidade, jeito, para ser mais agradável aos olhos dos que me veem. Não foi uma decisão acertada, contudo precisamos errar para compreender os nossos atos e fazer escolhas melhores e sadias. 

No caminho também esquecemos de muita coisa que gostávamos de fazer e que por conta da correria, como também para sermos parecidos com outrem (gostos em comum, roupas, jeito), deixamos de lado. Lembro que amava fotografar paisagens e pessoas. Por amor. Por gostar. Para mim. E não faço mais isso. Foi uma das coisas que perdi no caminho e quero resgatar. Elas me faziam bem e, de certa forma, trazia uma calmaria: ver a vida através das lentes dos meus olhos. Ver a vida através de mim e não dos outros. Ser acima de tudo eu.

Sabe quando as pessoas não gostam de como você é e, para que o clima fique harmonioso, você acaba mudando a sua forma mais bela e não sabe como chegou a esse ponto? Ou quando você desabafa com alguém, tem coragem de contar o que aconteceu na sua vida –  pois não conta para outras pessoas por vergonha –, porém a resposta dada é uma comparação? Certo dia, desabafei e escutei: eu sinto tudo o que você diz, mas estou seguindo e realizando minhas tarefas. 

O que era para estimular e dar gás para conseguir desempenhar as funções foi o suficiente para me deixar ainda mais desacreditada em mim, e voltar para o ponto inicial e perguntar “o que eu estou fazendo de errado?”. E a resposta é nada. 

Eu não sou igual aos outros. O tempo é só meu. O processo é meu. Não devo me comparar aos demais ou me sentir inferior por não conseguir realizar o mesmo papel. 

Todos os dias eu travava uma luta diária comigo: eu exigia muito mais do que meu corpo e minha mente conseguiam me dar. Sou ser humano. Tenho inúmeros defeitos e limitações. Vou tentando lidar e aprendendo a cada dia. O processo é lento e preciso me lembrar de ser mais compreensiva comigo. 

Não se cobre tanto. Se abrace. Dê amor a você. Celebre cada conquista. Acredite no seu potencial e que essa fase vai passar. Devemos ser gratos a cada tijolinho colocado, a cada passo novo, a cada sorriso conquistado. A cada abraço. Hoje ter personalidade diferente é incomum e não hype. Mas seja você.

Você não precisa ser cruel consiga mesma. Temos que ser maleáveis com a gente, se os nossos planos não saírem como planejados. Se algo deu errado, a culpa não é nossa. Precisamos acreditar em nós mesmas. O tempo para superar é o seu. 

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