Amor em trocados

Por: Yane Diniz

Acredito que para os dias de luta e aqueles poucos dias de glória, precisamos encontrar quem siga conosco trilhando as rotas de fuga, decifrando mapas e encontrando tesouros. Ele tem sido minha pessoa na vida, e em tempos de amores líquidos, com essa possibilidade assustadora de que amanhã talvez não seja, eu vivo de amor urgente e desejo que nesse emaranhado de laços do dia-a-dia, sigamos sendo nós, todos os dias e para sempre.

Mas eu ia escrever sobre o amor, né? Só de amor não se vive. Amor não se compara em moeda de troca, não se ampara nesse câmbio que inventamos para validar sentimentos em equidade, balanceando os pesos da vida.

Até porque amor não pesa, ou não deveria pesar, apesar dos pesares.

Mas dos trocos que passamos no processo de viver, certo dia a conta bate, os santos se encontram mesmo quando sem fé e sem credo. Assim, tornamo-nos eternos credores no sistema dos afetos.

“Desses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem”, mas sinto o amor manifestado em suas diversas linguagens, e é preciso entender que nem sempre a gente fala no mesmo tom, mas os beijos sempre voltam para a mesma língua.

Ele paga as contas em dia e me lembra dos vencimentos – um dia venceremos – e eu que não sei de matemática e deixo passar as datas acumulando juros, faço juras de amor eterno a este que me traz o racional da vida em suas horas exatas.

Eu que sempre me atraso, carrego comigo a certeza de que ele sempre me fará chegar no tempo certo, ele que chegou na hora certa de sermos juntos. Logo eu, cheia das incertezas, encontro nele a precisão do cotidiano em sua rotina de longas noites trabalhando, incansável. Logo eu, que não me dou ao trabalho.

E nesse banco de amor em moedas de troca, das linguagens de se amar que aprendemos, ele me dá razão, sou toda emoção nesse sistema do capital que construímos. Ele tão exato e eu humana, aprendemos a contar os trocados dessa vida em comum todos os dias, seguindo com investimentos em amar e mudar as coisas, ser e fazer gente para o mundo que está aí e por vir.

Te amo em todas as nossas apostas,

ainda que volátil, entre altas e baixas,

te amo sempre.

Só de amor a gente não vive, mas amando se vive mais. Escreva aí no para-choque do seu seu caminhão.

Tags:

MAIS LIDAS

ÚLTIMAS POSTAGENS

Menu