Do muito que não sei

Por: Vitória Quirino 

A cada pergunta feita ela fechava seus grandes olhos claros e olhava para dentro de si. Sem ruídos, ouvia e degustava amorosamente cada palavra perguntada. 

Por alguns minutos, silêncio e conexão, quietude e reflexão. Ela sentia e se ouvia. Dessa lenta contemplação as respostas emergiam, vindas do coração, do mais profundo, vibravam no corpo e era possível senti-las fluindo suaves, potentes, fazendo sentido.

Certo dia o silêncio foi mais prolongado. Algumas expressões faciais, respirações mais cadenciadas, a busca por inspirações. Aquela pergunta parecia não ter resposta. Com os olhos fechados, naquele dia ela parecia não conseguir ler o que estava escrito na lousa da sua mente. 

Até que sorriu, olhou mansamente para aquela mulher tão sensível que aguardava uma resposta e disse sábia e profundamente: não sei!

Em seguida completou, há muito o que não sei. Não por ser indiferente ao sentido. E sim por não sentir em mim o que em ti pulsa de forma tão profunda, legitima, íntima. Uma parte de ti que talvez não tenhas respostas, por ora. Por tanto, a reverencio e agradeço. 

Naquela resposta estavam contidas a beleza e a coragem do não saber. Não saber o que dizer, o que pensar, o que responder, o que fazer, o que escrever, sem sentir ou dar sentido.

Se impresso no corpo, na mente ou na alma, vivencio, registro, sinto. Logo, sei. Sentimentos, emoções, cheiros, gostos, texturas, sons, imagens, paisagens… relembram do que sei apenas a partir do meu jeito de saber. Ao sentir e saber de cada pessoa, respeito e reverência. 

Conhecimentos, descobertas, interesses e mistérios seguem infinitos pelas vias da mente e do coração revelando ‘o saber e o não saber’ das perguntas e respostas de cada dia. 

 

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