De volta à liberdade, com amor

Por: Maria Mariana 

Essa semana eu estive pensando sobre meus relacionamentos. Amizades, mais especificamente. E é praticamente impossível não lembrar e comparar a vida antes da pandemia e como está agora, e isso me levou a ver que eu aprendi TANTO sobre o amor e amizades.

Passei por MUITAS coisas com meus melhores amigos, coisas péssimas, mas que eu pude entendê-los, conhecê-los ainda mais, e me conhecer também.

Há várias faces do amor, e já falei sobre isso aqui, e agora eu me vejo mais desprendida, na realidade, eu acho que tem muito a ver com maturidade. Desprendida no sentido: o que as minhas expectativas fazem com que eu espere algo muito grande de outra pessoa? E essa pessoa muitas vezes não está pronta para supri-las ou não vai reagir como eu espero. E não é porque a pessoa não sinta algo negativo ou não se importe, é que as pessoas têm posicionamentos, visões e vivências que as constroem, e cada um reage da sua maneira.

Uma vez eu vi um exemplo de copinho de cachaça e copo de 500ml. Geralmente eu sou o copo de 500ml, eu sou muito intensa. Sempre estou presente, sempre faço tudo, quero participar, saber, me entrego, paro minha vida pra me encaixar em outra rotina, e isso é em todo tipo de relacionamento. Mas isso não é bom pra mim e a pessoa que vai receber isso muitas vezes é ou está um copinho pequeno, sabe aqueles copinhos de cachaça?! Logo, não tem capacidade para comportar todo líquido que eu, um copo enorme, vai despejar nele. E isso é ruim? Não. E acho que isso tem a ver com maturidade para enxergar os momentos e o jeito de ser de cada pessoa, e minha adaptabilidade e encaixe com cada pessoa.  E percebi que é muito importante você se enxergar e parar de negar características suas, seja para curá-las, adaptá-las e/ou aprender a conviver com elas. Ah, e com certeza outras vezes eu vou ser o copinho de cachaça e talvez nem perceba. 

Meu medo sempre foi ficar sozinha, e não sozinha sem namorar ou casar, claro que isso também, mas medo de não ter amigos, principalmente. Depois esse medo passou e percebi que em 2020 isso voltou. Agora, já em 2021, me vejo voltando para o que pra mim é a evolução, o sentimento de desapego. Não preciso ter medo de ficar sozinha. Não preciso manter as pessoas comigo de forma a me adoecer e nem acreditar que as pessoas me pertencem. E esse pertencer não no sentido de posse, mas sim no sentido de fazer parte, de elo, laço. Porque as pessoas me sentem, me entendem e isso é recíproco, e dar todo esse espaço e liberdade das pessoas serem e estarem conforme se sintam bem e a vontade para isso. E analisando toda essa dependência percebo uma ligação com a construção social dos relacionamentos, do que a ideia do relacionamento monogâmico é e como a gente leva essa definição para todos os tipos de relacionamento. 

Com isso, quero dizer o quanto é importante a gente conhecer sobre as ideologias e definições de status, de amizade, de sentimento, e até que ponto isso é uma construção social que a gente nem percebe pertencer e acaba tomando conta de nós de tal forma que chega a ser prejudicial a nós mesmos, atingindo a nossa liberdade e leveza em como levar as coisas. 

Hoje não me considero de uma religião, mas minha base e construção social (como todo mundo) vem do catolicismo, e eu até tenho uma tatuagem de uma passagem que fala sobre o amor, e a tattoo é um triângulo, com três palavras: amor, na base, fé e fidelidade, nas laterais, como “alicerce”, e no meio 1 Co, 13, e essa passagem diz:

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei.
Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá.
O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará.
Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;
quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.
Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.” 

E disso eu vejo a fé como acreditar, confiar, não necessariamente algo religioso. E o amor pra mim é o sentimento mais lindo e difícil, como algo que deve ser totalmente livre e respeitoso, e por isso o mais difícil, porque não é fácil verdadeiramente esperar, dar espaço, respeitar 100% o outro. Ao meu ver, só com muita desconstrução, autoconhecimento e conhecimento do outro, e é isso que busco e fico feliz por enxergar novamente e melhor agora. Detalhe, quando a passagem que citei diz “tudo sofre…”, pode ser sobre o amor-próprio também, porque por você mesmo tudo vale a pena, seus processos, suas descobertas, suas quedas… Nesse ponto, quando se trata de outra pessoa, mais uma vez chamo atenção para o autoconhecimento, só assim para saber identificar onde você cabe.

 

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