Violência contra a mulher com deficiência: silêncio e denúncia

Por: Fábia Halana Pita 

Mulheres que sofrem, sangram, choram, são silenciadas e invisibilizadas. Mulheres que muitas vezes sentem medo ou vergonha de denunciarem seus agressores. No caso das mulheres com deficiência, a situação é ainda mais agravante: “De acordo com dados da ONG Essas Mulheres, entre pessoas com deficiência, as mulheres são as maiores vítimas de violência física (68%) e sexual (82%). Sabe-se que as mulheres com deficiência sofrem três vezes mais violências do que as mulheres sem deficiência […]. Segundo o Ministério da Saúde, no ano de 2018, 117.669 mulheres vítimas de violência doméstica foram atendidas em todo o país. Deste total, 6% aparecem no registro com alguma deficiência […]. O Atlas da Violência 2018 mostrou que, de 22.918 casos de estupro, 10,3% são de pessoas com deficiência. Entre os casos de estupro coletivo, 12,2% das vítimas tinham algum tipo de deficiência”.

Números expressivos que revelam a realidade de muitas mulheres com deficiência do país. Podemos identificar vários fatores, entre eles: o agressor identifica a vítima como alguém frágil; dificuldade em realizar a denúncia (seja em delegacias, plataformas digitais inacessíveis); descredibilização da mulher com deficiência; misoginia que é entendida como capacitismo; maus tratos, abusos e assédios disfarçados de desatenção da mulher com deficiência, por esbarrar em algum móvel, por exemplo; os agressores geralmente fazem parte de seu núcleo familiar, rede de cuidados ou vizinhança.

Diante disso, é fundamental que sejam criados/efetivados mecanismos acessíveis de busca de ajuda, denuncia e apoio. Que os relatos sejam escutados, credibilizados. A sociedade machista e patriarcal precisa refletir, desconstruir padrões, mudar as atitudes. Não pode se omitir. “Nada justifica a violência contra a mulher”. Vocês não estão sozinhas.

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