A sexta de pandemia não é mais a sexta de alegria

Por: Dani Fechine

Hoje seria o dia das minhas mulheres. O acordar já seria ansioso e nada que o dia trouxesse de ruim seria impossível de consertar. Algo ao fim daquela sexta-feira traria felicidade. São essas coisas rotineiras que a pandemia nos tirou que também faz buraquinhos no nosso coração.

Hoje eu jantaria bem, provavelmente um cuscuz reforçado. Antes disso tentaria dar um cochilo, porque a noite merecia atenção. Já no jantar eu estaria vestida com meu short de malha e um top. Na mochila, o colete. Nos pés… A chuteira.

Hoje era dia de pelada. A pelada das mulheres mais incríveis que eu já conheci nessa vida. Mulheres que batalham todos os dias. Lutas diferentes. Vidas diferentes. Propósitos variados. Mas todas com algo em comum: o futebol como escape. O jogo, a brincadeira, os sorrisos da sexta-feira como um remédio.

Hoje seria dia de suar na primeira carreira. De perder uma finalização. De gritar mil vezes: “aqui”. De passar despercebida da lateral e conseguir fazer o gol. De impedir um ataque promissor. De cansar o suficiente pra não conseguir voltar para marcar. De deitar no campo ao fim da partida. De se orgulhar da assistência. De abraçar a companheira pela dupla de ataque. De ficar feliz da vida com o gol maravilhoso da adversária. De aplaudir o futebol arte daquelas mulheres que fazem maravilhas com os pés e com os sorrisos.

Hoje era dia de terminar o jogo e decidir para qual bar iríamos. De chegar em um boteco, ainda de meia e chuteira, receber olhares curiosos para um grupo de mulheres peladeiras, sentar em uma mesa grande e pedir a cerveja mais gelada do bar. E então, o gole de cerveja mais gostoso que você vai sentir na vida: o gole pós pelada. Esse momento, esses dias de alegrias e de renovação, precisam voltar. Eles também são cura. E é também por isso – além de todas as pessoas que se foram – que eu odeio tanto essa pandemia. Ela tira da gente aquilo que mais amamos, desde pessoas até momentos. E que a gente possa, mesmo com um hiato tão grande entre o fim e o recomeço, sermos as mesmas mulheres fortes, admiráveis e unidas que sempre fomos. Que nosso time seja sempre banhado de suor, cachaça e amor. Que saudade!

 

Tags:

MAIS LIDAS

ÚLTIMAS POSTAGENS

Menu