Tem gente que é ponte, tem gente que é destino

Por: Carol Andrade

Eu achava essa frase errada e ruim, essa do título. Ruim no sentido de depreciar alguém ou algum sentimento. Talvez porque, até então, eu não tivesse chegado ao meu destino.

Antes de qualquer coisa, quero dizer que não tem nada de errado com essa percepção [pelo menos pra mim]. Ela é necessária pra que a gente possa se perceber nesse processo, sendo ponte ou passando por ela, e, se for o caso, desafogar esse trânsito. 

Ponte engarrafada é um atraso de vida, literalmente.

Bom, conheci essa frase porque duas pessoas me falaram. Pessoas que já me relacionei. Uma durante muito tempo e outra durante muito pouco. O único paralelo possível a ser traçado entre as duas é o sentimento de acomodação. Péssimo, inclusive. Assim, péssimo a longo prazo. A curto prazo é seguro, confortável e saciador. A longo prazo é sufocante, pelo menos pra quem não suporta esse sentimento de estagnação – tipo eu.

[A ponte, a estrada, tem essa brisa constante, gostosa, mas que enjoa quando dura muito]

Acredito muito que a vida é feita de ambição. Isso não é sobre dinheiro ou bem material. É sobre crescimento, movimento, busca. Acho que buscar deve ser verbo regente. E nesse sentido, passar pela ponte é essencial. O caminho é a busca.

[às vezes fico divagando e me perco no texto, é coisa demais pra pensar e processar e escrever]

Apesar de tudo, a gente sabe quando tá na pontea gente não desce.

Ninguém estaciona na ponte.

Ninguém se sente seguro na ponte.

Ninguém quer ficar nela.

[às vezes a ponte vem feito ensaio de casamento

às vezes é tipo rio-niterói

às vezes é aérea

às vezes é aquele relacionamento que você não aguenta mais

pensei nesses tipos de ponte, mas na real, do jeito que pontuei, nem todas têm a ver com o texto – vou deixar pelo processo criativo]

A gente só se move pelo anseio de chegar a qualquer destino, e do mesmo jeito que a gente sabe quando tá na ponte, sabe também quando chega a ele. A gente sente

Destino é sossego, descanso, segurança. É lar. É onde você chega pra ficar, pra morar, pra viver! Se “buscar” é verbo regente, viver deve ser imperativo. Sempre! 

Foi assim que percebi um mundo novo, juro pra vocês. De muita vontade, olho brilhando, sorriso abrindo, de fazer umas loucuras [tipo atravessar o país só pela saudade], mas com uma intensidade que até então não tinha rolado. Não vou mentir, é meio assustador. Ok, talvez muito. Mas quando recíproco, é de suspirar com a cabeça no ombro, sabe como é?

Sim, talvez eu seja mesmo uma romântica. Já contei muita história aqui nessa coluna sobre esses amores e devaneios, mas talvez eu tenha chegado a um destino que eu nem sabia que ainda era possível. 

É incrível que a vida, os astros, Deus, os orixás, ou qualquer coisa em que se possa crer, tenha me levado a encontrar o que eu nem tava mais procurando. [talvez a mágica more aí, nesse ‘deixa a vida levar’]

Dito [tudo] isso, tu sabe se é ponte ou destino, ou pelo que tá passando agora? SE tá passando por isso… Pensa. É importante demais. 

Eu acho mesmo que cheguei ao meu destino, pagando a minha língua de todas as maneiras possíveis e amando isso. Ironicamente, um destino-ponte. Ponte aérea. Meio inacessível, sofrida, chorosa, de sorriso largo, de abraço de chegada e despedida. Mas a ponte do meu destino. 

E com tudo isso entendido, agradeço a vida, os astros, Deus, os orixás, ou qualquer coisa em que se possa crer, e abraço esse destino, de todas as formas.

Percorram caminhos e cheguem aos de vocês.

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