Máscaras: com qual você vive?

Por: Núbia Alves, colaboradora do Nossa Fala

As máscaras sempre fizeram parte da história dos seres humanos. Elas integraram culturas, rituais e até mesmo serviram como instrumento de defesa. Com o tempo, as utilidades foram sendo modificadas. Viraram adereços, fantasias, tratamentos e utensílios de trabalho. E hoje, com uma pandemia mundial, tornaram-se essenciais. Indispensáveis.

Mas muito além da máscara que hoje utilizamos para nos proteger — visivelmente estampada em nosso rosto — está a máscara pessoal que cada um de nós utiliza. Aquela que é invisível para os demais e apenas nós temos ciência de sua existência. E não, eu não estou falando no sentido figurado ou muito menos em relação aos ditados populares da sociedade. “As máscaras irão cair” ou algo do tipo. Nada relacionado ao fingimento ou falsidade. Pode até ser sobre fingir, mas não em um sentido maldoso.

A partir do momento em que vamos amadurecendo, nos relacionando com outros indivíduos e entendendo tudo o que nos rodeia enquanto sociedade, a gente aprende a mascarar certas coisas, como a insegurança constante que sentimos, a raiva de determinadas atitudes, mas que por fazerem parte do nosso ciclo, relevamos. Tantas coisas. Mascaramos a nossa tristeza através de sorrisos, brincadeiras, risadas. Mascaramos nossos problemas, nossos medos, nossas frustrações. Guardamos tudo embaixo da máscara que achamos adequada para pertencer e integrar o espaço em que estamos. E não me diga que isso não acontece com você, porque isso só comprovaria que você está usando essa máscara agora. A que te impede de revelar o que está por trás da capa que você criou. Quantas e quantas vezes você não vestiu a máscara do sorriso para esconder a tristeza que estava sentindo? E quanto a máscara da confiança? A máscara da convicção? A máscara da certeza? E uma das minhas preferidas, a máscara da serenidade. São tantas máscaras já utilizadas. Já parou pra contar quantas estão compondo a sua gaveta? Qual a que você vai precisar usar hoje?

Infelizmente ou felizmente, elas tornaram-se comuns. Quase como um acessório que precisamos utilizar no dia a dia. E acredite, nem é por mal. É que se não a usarmos, talvez não fossemos tão toleráveis, tão agradáveis, tão divertidos, tão capazes, tão interessantes. Usá-las evita explicações. Evita detalhes e histórias as quais muitas vezes não queremos ou não estamos preparados para contar. Usá-las economiza tempo. Economiza palavras. E foi economizando tudo isso que chegamos até aqui, não é mesmo? Revendo isso tudo, percebe como elas são necessárias? São tão comuns que se tornam imperceptíveis, até mesmo pra quem as usa. Fazem parte de nós.

O que me leva a te perguntar, o que te impede de adicionar mais uma máscara aos teus acessórios diários, se a máscara já é algo tão comum para ti, para nós?!

Talvez depois desse texto você relembre que estava com ela. Talvez a remova, talvez a troque por outra. Talvez tire a poeira de sua gaveta. E não se culpe por isso, como eu disse, faz parte de onde estamos, como estamos e como precisamos estar. Então… que comece o baile de máscaras.

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