Entre reflexões e afetos

Por: Fábia Halana Pita

Muitas vezes a deficiência é um entrave no tocante aos relacionamentos amorosos, gerando polêmicas. Por não atenderem ao padrão estético e de corpos estabelecidos pela sociedade, algumas pessoas não se interessam ou não querem ter um relacionamento com pessoas com deficiência (pcd’s). No imaginário social as pessoas com deficiência são incapazes, pesos, e quem estiver em uma relação com elas está fazendo “caridade”. Na verdade, as pessoas deixam de aproveitar oportunidades incríveis por deduzir demais e se aproximar de menos. Há casos em que algumas adaptações podem ser feitas, mas nada que seja impossível de fazer e acontecer.

Outro aspecto bem relevante é a rotulação das pessoas com deficiência, entendo-as como assexuada ou hipersexuada, remetendo-as às questões genéticas na geração de filhos(as) ou relacionadas ao futuro cuidado deles (maternagem/paternagem), ou até na escolha de não tê-los. Outras situações comuns: em aplicativos na internet é comum darem “match” e, quando sabem que é pessoa com deficiência, descartam logo; ignoram os sentimentos das pcd’s; as famílias, ao superprotegerem, não aceitam os interesses e os desejos das pcd’s; infantilização das pcd’s; desrespeito à orientação sexual das pcd’s; ter fetiches em relação ao corpo com deficiência; etc. Vamos desconstruir?

Por outro lado, algumas pessoas com deficiência, por passarem por uma série de situações capacitistas (uma vida toda, muitas vezes), acabam “desconfiando”, “fugindo” de investidas ou ficam no tal amor platônico. Não aceitando que também podem sentir desejo e serem desejados(as), alimentando a sua insegurança, de certa forma. Vamos rever esses posicionamentos também?

As pessoas com deficiências têm o direito de escolherem e se interessarem por quem elas quiserem. Bem como outras pessoas podem se aproximar e viverem momentos maravilhosos com elas. Vocês ao menos tentaram estabelecer esse contato? A questão mais importante é focar na pessoa, não em sua deficiência. Somos pessoas, temos interesses, desejos e sonhos. Somos possibilidades e potências! Queremos alguém que nos respeite, interaja conosco e, se for da vontade das partes, construam uma relação duradoura. Tudo é possível!

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