Ser-tão em meio ao caos

Por: Dani Fechine

Sabe… É muito difícil tomar decisões. Sempre tive uma dificuldade enorme em escolher. Desde o sabor da pizza até que carreira seguir. Mas quando a gente não pode mais errar, isso se torna um martírio. Essa capa de mulher forte que a gente precisa vestir todos os dias é a grande peça que nos pregam a vida inteira. 

Com os chutes que a própria vida me deu, eu entendi que ser forte é muito mais que uma escolha. É uma necessidade. Mas, puta merda, é difícil pra caramba. Ser forte quando está cansada. Ser forte quando está triste. Ser forte quando está com sono. Ser forte quando não aguenta mais. Ser forte, então, é esconder todo o resto?

E pra onde vai tudo que sobra depois de ser forte? A sujeira embaixo do tapete, uma hora, se acumula. Junta tanto que se torna lixo. Tanta coisa que nem o tapete mais aguenta. Bate um vento, ele se mexe, a sujeira voa. E se espalha. Ela vai para todos os cantos da casa. Todas as brechas. Limpar agora fica mais difícil.

Mas ser forte não é isso? Esconder todo o resto e… ser forte. Só que chega um momento que a gente cansa dessa fortaleza toda. Seria melhor passar uns dias, talvez umas semanas, deitada na cama. Sem receber mensagem. Sem notícias. Sem nada que te trouxesse de volta a obrigação de ser forte. 

Parece que ser forte é algo que vem com a gente como DNA. Ser forte, apesar de. Eu só vim aqui pra dizer que eu não quero mais ser forte. Quero cair um pouco. Chorar um pouco. Desistir de algumas coisas. Ser fraca, se for o caso. Abandonar o barco. Só um pouco… A gente já é forte a vida inteira para aguentar a barra que é ser mulher nesse mundo de meu Deus. Só um dia, ser fraca, não é uma escolha. É também uma necessidade.

Ser forte é ser-tão em meio ao caos. 

 

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