Hora da mudança

Por: Gi Ismael 

Já ouviu falar que todas as células do nosso corpo se regeneram a cada sete anos? Jamais duvidaria da ciência, entretanto tenho uma teoria complementar: a gente se renova a cada mudança. Digo mudança no sentido literal mesmo, de encaixotar as coisas e ir para um novo lar. 

(#privilegepeopleproblems) Mudança é um troço exaustivo. Só o ato de pensar em mudança é puro sofrimento por antecipação. A gente atravessa devagar a faixa de pedestres e a dor nas costas já nos encara ali da esquina. Um sorriso amarelo aqui, um aceno de volta por educação acolá, “puta merda, tomara que ela não venha até aqui” e a bixiguenta vem — mais cedo ou mais tarde.

Mas lá vem a confissão: na real?, na hora do vâmo ver, eu adoro o processo de mudança. Passei por quatro nos últimos quatro anos e te digo que me sinto mais leve a cada vez. Acho que o método me lava a alma. Primeiro, vem a seleção do que segue conosco e o que não mais nos pertence. Mari Kondo aconselharia guardar aquilo que te traz felicidade e isso resume bem. No meio de traças, possíveis baratas e dedicatórias arrancadas de livros, vivem as boas memórias. De todas essas histórias, vivências e vazios acumulados, o que merece preencher nossos espaços? 

Passado isso, é – geralmente – quando a gente precisa decidir o destino de tudo que já não nos pertence. O que merece o fétido destino do lixo? O que merece novos braços, novos corpos, amores e histórias? O que vai assumir seu posto de mercadoria e ser trocado por alguns mirréis?

Então, enfim, as caixas. Tempo de deixar a bagunça temporariamente nos cômodos de papelão até que enfim encontrem o novo lar. Da ex-casa para a caçamba, da caçamba para o lar.

No final das contas, mudanças são assim. Um processo tido como traumático pode ser transformador. Ele pode ser planejado ou inesperado, impulsionado por você ou por forças externas. O término de um contrato, o começo de outro, não necessariamente nessa ordem, quem sabe?

Já não sei se falo da reorganização material ou mental. O que é frágil num sentido, é feito de adamantium no outro. Não há plástico bolha que salve a fragilidade de um antigo gabinete de computador, nem sacola plástica que aguente a carga emocional de uma foto 3×4.

De tudo isso, o que ainda restará quando chegarmos ao destino final?

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